A Associação do Futebol Argentino (AFA) foi fundada em 1893, o que a coloca entre as federações mais antigas do futebol fora das Ilhas Britânicas. O primeiro jogo oficial da seleção aconteceu em 1902, contra o Uruguai, iniciando uma rivalidade que se tornaria uma das mais antigas do futebol internacional.
Nas primeiras décadas do século XX, a Argentina já demonstrava força. A equipe conquistou diversos campeonatos sul-americanos (nome que a atual Copa América teve por muito tempo) e chegou à final do torneio olímpico de futebol em 1928. Em 1930, disputou a primeira Copa do Mundo da história, realizada no Uruguai, e avançou até a decisão, onde foi derrotada pelos anfitriões por 4 a 2. Era o início de uma tradição de grandes campanhas em Mundiais.
As Copas do Mundo da Argentina
A história da seleção argentina em Copas do Mundo é marcada por finais inesquecíveis e por alguns dos momentos mais célebres do futebol. Ao todo, os argentinos disputaram seis finais de Mundial, com três conquistas.
A primeira veio em 1978, quando o país sediou o torneio. Liderada por Mario Kempes, artilheiro da competição, a Argentina venceu a Holanda na final por 3 a 1 na prorrogação, no estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires.
Oito anos depois, em 1986, veio a conquista mais emblemática. No Mundial do México, Diego Maradona protagonizou uma das maiores atuações individuais já vistas em Copas. Nas quartas de final contra a Inglaterra, ele marcou dois gols que entraram para a história: o famoso gol marcado com a mão, conhecido como "a mão de Deus", e o gol do século, após driblar meio time adversário. Na decisão, a Argentina superou a Alemanha Ocidental por 3 a 2.
A equipe ainda foi vice-campeã em 1990, novamente diante dos alemães, e em 2014, quando caiu diante da Alemanha por 1 a 0 na prorrogação. O desfecho veio em 2022, no Catar, em uma final considerada por muitos a mais emocionante de todos os tempos. Em um jogo com três gols para cada lado contra a França, a Argentina venceu nas penalidades, com atuações decisivas de Lionel Messi, autor de dois gols, e do goleiro Emiliano Martínez, herói nas disputas de pênaltis.
Maradona e Messi: os dois maiores ídolos
Qualquer conversa sobre a seleção argentina passa, inevitavelmente, por dois nomes: Diego Maradona e Lionel Messi.
Maradona defendeu a Albiceleste em quatro Copas do Mundo (1982, 1986, 1990 e 1994) e se tornou símbolo máximo do futebol argentino, especialmente pela campanha de 1986, quando liderou o time ao título praticamente sozinho em vários jogos. Anos depois, ainda comandou a seleção como treinador na Copa de 2010.
Messi, por sua vez, construiu uma trajetória de números inéditos pela seleção. É o maior artilheiro da história da Argentina e o jogador com mais partidas disputadas pela equipe. Antes de brilhar no time principal, já havia conquistado o Mundial Sub-20 em 2005 e o ouro olímpico em Pequim 2008. Durante anos, porém, a ausência de um título sênior com a camisa albiceleste foi motivo de frustração — inclusive com o vice nas finais da Copa do Mundo de 2014 e das Copas América de 2015 e 2016.
Essa sequência mudou em 2021, quando Messi finalmente ergueu um grande troféu pela seleção, na Copa América disputada no Brasil. Na sequência vieram a Finalíssima de 2022, contra a Itália, e o título mundial no Catar, coroando a carreira de um dos melhores jogadores de todos os tempos.
Copa América e demais conquistas
A seleção argentina é a maior vencedora da história da Copa América, com 16 títulos, um a mais que o Uruguai. Entre as conquistas mais recentes estão as edições de 2021 e 2024, que marcaram um ciclo de dominância da equipe no futebol sul-americano. O título de 2021, obtido contra o Brasil no Maracanã, encerrou um jejum de 28 anos sem troféus importantes, já que a conquista anterior havia sido a Copa América de 1993.
Além das Copas do Mundo e das Copas América, o retrospecto da Argentina inclui:
- a Copa das Confederações de 1992;
- duas medalhas de ouro olímpicas, em Atenas 2004 e Pequim 2008;
- a Finalíssima de 2022, disputada em Wembley contra a campeã da Eurocopa, a Itália, com vitória por 3 a 0;
- diversos títulos mundiais nas categorias de base, sobretudo no Sub-20, competição que revelou craques como Maradona e Messi.
A rivalidade com o Brasil
O confronto entre Argentina e Brasil, conhecido como Superclássico das Américas, é um dos jogos mais aguardados do futebol mundial. As duas equipes são as maiores potências da América do Sul, e os duelos entre elas reuniram ao longo das décadas protagonistas históricos como Pelé, Maradona, Romário, Zico, Messi, Kempes e Batistuta.
Alguns capítulos ficaram marcados na memória dos torcedores, como o gol de Claudio Caniggia que eliminou o Brasil na Copa de 1990 e a final da Copa América de 2021, vencida pela Argentina no Maracanã. A rivalidade ultrapassa as fronteiras do continente e é frequentemente apontada como um dos maiores clássicos entre seleções de todos os tempos.
Identidade, estádio e torcida
O apelido "albiceleste" vem das cores do uniforme, que fazem referência às cores da bandeira argentina. O time manda seus jogos principalmente no Estádio Monumental, em Buenos Aires, o maior do país e casa historicamente associada às grandes decisões da seleção, incluindo a final da Copa de 1978.
A torcida argentina é reconhecida mundialmente pelo fervor. Cantos, bandeiras e uma atmosfera intensa acompanham o time em qualquer competição. Na Copa de 2022, a música "Muchachos" se tornou o hino não oficial da campanha campeã e ecoou pelas ruas da Argentina durante as celebrações do título, que levaram milhões de pessoas às ruas de Buenos Aires no dia da volta da seleção.
O ciclo atual e a nova geração
Desde 2018, a seleção é comandada por Lionel Scaloni, ex-jogador campeão mundial júnior pela Argentina e que, como técnico, construiu o ciclo mais vencedor da história recente do time. Sob seu comando, a equipe conquistou a Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, o Mundial do Catar e a Copa América de 2024, formando um grupo que combina a experiência de Messi, Di María, Otamendi e Emiliano Martínez com a energia de uma nova geração.
Nomes como Julián Álvarez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister, Lautaro Martínez e Cristian Romero se consolidaram como peças centrais do projeto e representam a transição para o futuro. A mistura de garagens formadas nas categorias de base locais com jogadores consolidados em clubes europeus mantém a Argentina entre as principais forças do futebol mundial, com elenco competitivo para os próximos ciclos de Copa do Mundo e Copas América.
Por que a seleção argentina desperta tanto interesse
A seleção argentina de futebol reúne elementos raros de se encontrar juntos: um retrospecto vitorioso em todas as competições que disputa, dois dos maiores jogadores da história do esporte, uma rivalidade lendária com o Brasil e uma torcida que transforma cada jogo em um evento cultural. Seja pela nostalgia das imagens de Maradona em 1986, seja pela realização da corrida de Messi por títulos, a Albiceleste continua a escrever capítulos marcantes do futebol mundial, a cada geração, a cada campanha, a cada craque que surge para vestir a camisa celeste e branca.